Governador admite deficit de equipes nas delegacias de PE e promete concursos anuais

Declaração foi dada durante aula inaugural do curso de formação das polícias Civil e Científica. Segundo Paulo Câmara, vagas serão abertas para repor cargos deixados por servidores aposentados nas equipes.

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Arthur Mota/Folha de Pernambuco

O mês de agosto de 2017 teve o maior número de homicídios, na comparação com o mesmo mês, nos últimos sete anos, segundo dados da Secretaria de Defesa Social (SDS). Diante do aumento nos índices da violência no estado, o governador Paulo Câmara admitiu, nesta segunda-feira (2), que há uma defasagem no número de delegados no estado e afirmou que o intuito é que, a partir de 2018, sejam abertos concursos anuais, para repor os cargos deixados por servidores aposentados.

“A meta é que todas as delegacias tenham suas equipes formadas para que não haja mais nenhum tipo de prejuízo de acumulação, ou seja, um delegado precisar acumular uma, duas ou até três delegacias e também o plantão do fim de semana. Esse é um número para o momento que nós vivemos. É um número grande de policiais que vao dar vazão aos inquéritos, investigar mais e poder, realmente, dar respostas mais rápidas no tocante à investigação”, afirmou.

O déficit estrutural das equipes nas delegacias do estado, citado por Câmara, havia sido apontado em setembro pelo gestor do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Ivaldo Pereira, e por um dos criadores do Pacto pela Vida, José Luiz Ratton, ao analisarem a questão da escalada da violência em Pernambuco.Ao G1, Ivaldo Pereira apontou que o DHPP tem cinco delegacias nas áreas estratégicas. No auge do Pacto pela Vida, cada delegado tinha três adjuntos. Agora, existe apenas um delegado com duas a três equipes por delegacia.

Nesta segunda, ocorreu a solenidade de abertura do curso de formação profissional da Polícia Civil e Polícia Científica, de 1.283 alunos convocados. O evento ocorreu no Teatro Guararapes, localizado no Centro de Convenções, em Olinda. Na ocasião, o governador disse que o número de agentes no estado é “para o momento que nós vivemos”.

“Nosso intuito é que todo ano tenha concurso, com número menor de vagas, evidentemente, mas para repor as pessoas que vão se aposentando. Para que a gente não tenha ‘claros’, como está ocorrendo agora, que terminou sendo ruim diante do aumento da violência no estado”, disse o governador.

O chefe da Polícia Civil, delegado Joselito Kehrle, apontou que os novos policiais devem estar nas ruas em 2018. “Não haverá uma delegacia no estado de Pernambuco sem uma equipe formada por delegado, agentes e escrivães. Eles estarão do Litoral ao Sertão”, prometeu, ressaltando que a contratação de 800 policiais civis aposentados também reforça o combate à violência.

Formação

A aula inaugural do curso de formação dos policiais civis e científicos ocorreu nesta segunda-feira. Pela Polícia Civil, serão formados 140 delegados, 620 agentes e 90 escrivães, todos aprovados no concurso público promovido pela Secretaria de Defesa Social, em 2016. Já para a Polícia Científica, o objetivo é formar 139 peritos criminais, 40 médicos legistas, 130 auxiliares de peritos, 73 auxiliares de legistas e 51 peritos papiloscopista.

Ao todo, foram 1.283 alunos convocados, sendo 850 para o Curso de Formação Profissional da Polícia Civil e 433 para o Curso de Formação Profissional da Polícia Científica. As aulas serão realizadas na Faculdade Guararapes, sob responsabilidade do Campus de Ensino Recife da Academia de Polícia Civil (Acadepol).

Em setembro, 1.448 novos policiais militares formaram-se, da turma do concurso público realizado em 2016. Durante oito meses, eles fizeram o curso de formação e começam a trabalhar a partir de sexta-feira (22). Durante a cerimônia, foram entregues 83 novos carros das polícias Militar e Civil e do Corpo de Bombeiros. Neste ano, também começa a formação de mais 1.300 PMs e mil policiais civis. 

G1 PE

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