A reportagem do UOL verificou que em um ano o governador Wilson Lima gastou, sem licitação, o montante com três empresas

Em um ano marcado pela crise econômica e falta de recursos para combater a pandemia de covid-19, a gestão do governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), gastou R$ 7,2 milhões em dinheiro público em viagens com a cúpula do governo usando jatos executivos fretados sem licitação. As informações são do UOL.
Entre outubro de 2019 e outubro de 2020, o governador e sua equipe viajaram pelo interior do estado e para Brasília em jatos executivos projetados para viagens internacionais com acomodação para oito passageiros.
Wilson Lima e sua equipe se revezaram entre três aeronaves de três empresas locais de táxi aéreo contratadas sem licitação a um custo que variou de R$ 8.200 e R$ 18 mil a hora de voo. A reportagem não teve acesso ao total de voos correspondentes aos R$ 7,2 milhões gastos nos 12 meses.
Procurada pelo UOL, a Secretaria Estadual da Casa Militar respondeu que as aeronaves foram utilizadas para o transporte de “oxigênio medicinal, medicamentos, EPIs (Equipamento de Proteção Individual), vacinas e traslado de corpos de vítimas da covid-19 que estavam em tratamento em outros estados”.
Alertada de que parte das viagens é de período anterior à pandemia (entre outubro de 2019 e fevereiro de 2020), a secretaria enviou nova resposta, atribuindo a anterior ao “questionamento bastante genérico” da reportagem. “O voo em jato obviamente não diz respeito a transporte de carga, como insumos para a área da saúde”, afirmou, dizendo que em “todas as gestões” no Amazonas “houve a necessidade do serviço de jato para o deslocamento do governador”.
O método escolhido pela Secretaria da Casa Militar, de onde partiram as contratações, foi o chamado processo indenizatório.
Essas contratações ocorrem desde 2017, segundo resposta da própria Casa Militar ao UOL. Ela afirma em nota que desde aquele ano “elabora processos de licitação para o serviço”, todos sem êxito. Na última tentativa, publicada no Diário Oficial em 22 de janeiro de 2020, o contrato de R$ 9,3 milhões terminou suspenso pelo desembargador Anselmo Chíxaro na quarta-feira (10). A locação de jato executivo, escreveu Chíxaro na sentença, se deu “em descumprimento aos atos do próprio Governo do Estado do Amazonas por meio do Decreto nº 42.146/2020, que decretou o contingenciamento de despesas” em razão da pandemia.

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